Valinhos: Passeio rural valoriza as frutas com a chegada da Festa do Figo

Valinhos: Passeio rural valoriza as frutas com a chegada da Festa do Figo

A poucos quilômetros da agitada rodovia, os caminhos vão mudando os cenários e mostam uma cidade diferente

A distância, a partir do centro de Valinhos, não é longa. A poucos quilômetros da agitada rodovia, os caminhos vão mudando os cenários e descortinando uma cidade diferente. Aquela das origens, onde as estações do ano ditam o tempo. O ritmo, além dos relógios, está no podar, adubar, florecer, frutificar e colher. Ciclo que se repete e nunca é igual. A terra, livre de concreto e asfalto, dá lugar ao verde simétrico construído pelas mãos dos agricultores. A área rural de Valinhos é um negócio de família, mas também pode ser um passeio turístico de contemplação, entretenimento e diversão.

A pouco mais de um mês para a abertura oficial da Festa do Figo e Expogoiaba de Valinhos, a Comissão Organizadora do evento, coordenada pelo Departamento de Turismo, já planejou mais uma edição do Turismo Rural, que atrai muitos visitantes. Durante os finais de semana da festa, que acontece de 19 de janeiro a 3 de fevereiro de 2019, os interessados podem percorrer sítios, plantações e conhecer o parque aquático instalado na área rural.

O passeio dura cerca de três horas por um caminho que revela uma Valinhos que se modernizou, mas mantém antigas tradições que marcaram a colonização da cidade. Tem figo no pé, a fruta que dá o nome à festa, plantada pelos italianos responsáveis por introduzir a fruticultura na região. Tem também goiaba no pé, influência da colônia japonesa. As goiabas são cobertas uma a uma por saquinhos de papel ainda miúdas, para evitar ataques de insetos, em um balé que pinta de branco o desenho verde das plantas.

O passeio tem também um dedo de prosa com os agricultores, acostumados a planejar suas atividades a partir do arco que o sol desenha no céu, de olhos e sentidos treinados para acompanhar eventuais mazelas do tempo, uma geada maldosa, um granizo insolente. Tem outras frutas que foram surgindo com passar dos anos, das antigas às recentes, que já fazem parte da agricultura local. Tem as plantas consorciadas ou companheiras, que se espalham pelo solo entre as plantações principais, para ajudar a evitar pragas, doenças, repor nutrientes na terra e ainda garantir colheitas extras.

Nos sítos, é possível adquirir frutas frescas, produtos caseiros em que elas são protagonistas e itens feitos por habilidosas mãos. No passeio, tem ainda uma parada num parque aquático, que oferece opções de diversão e hospedagem. O ingresso para o Turismo Rural custa R$ 20. Os agroturistas embarcam no Parque da Festa do Figo em um micro-ônibus, que faz todo o itinerário.

“É um menu de degustação do turismo de Valinhos, que acontece há 18 anos. Apresentamos ao público os pontos turísticos, que acabam fugindo da realidade deles. É o momento de vivenciar uma experiência bem interessante, além de ser um convite para que os visitantes retornem a esses lugares”, afirma a diretora de Turismo de Valinhos, Fernanda Goi. Segundo ela, durante os finais de semana da festa, são realizadas cerca de 10 viagens por dia. Ao menos 1,5 mil pessoas passam por cada chácara.

Confira as atrações:

Sítio Sequetto

Plantações de goiaba, pimenta e também do carro-chefe, a banana, produzida com maturação natural. Sempre que possível, Maísa Sequetto, proprietária do local há 33 anos, recebe pessoalmente os visitantes e faz questão de contar como é a vida no sítio, parceiro da Festa do Figo e Expogoiaba pelo segundo ano. “É uma alegria só. Os visitantes tiram várias dúvidas e apreciam nosso plantio”, diz. Na propriedade, que tem 18.600 m², são produzidos por ano 1.200 cachos de bananas, cerca de 24 toneladas, 6 mil caixas de goiaba e 200 quilos de pimenta. Após conhecer as plantações, o turista pode comprar frutas frescas, suco de goiaba, casca de laranja e casca de gengibre cristalizados.

 

Sítio Kusakariba

Os visitantes são recepcionados com degustação de goiabas fresquinhas e licores. Monitores acompanham os turistas até as plantações. O dono da propriedade, Teruo Kusakariba, acompanha a visita com prosa sobre as plantas e a roça. “Uma curiosidade bem interessante é que uma pessoa chega a colocar cerca de 5 mil saquinhos por dia nas goiabas para proteger da mosca da fruta”, conta Kusakariba. A parceria do sítio com a Festa do Figo e Expogoiaba dura desde 2000. A propriedade tem área de 62 mil m². Produz, por ano, 160 toneladas de goiaba, em 1,1 mil pés da espécie vermelha e 300 da branca, e ainda cinco toneladas de seriguela. No fim da visita, é possível comprar geleias, licores e figo em calda caseiros. O espaço também fica aberto durante todo o ano para quem quiser aproveitar um bom café da manhã ou almoço, desde que faça o agendamento antecipado.

 

Adega do Tio Mário

Tio Mário é produtor agrícola, mas acolhe os visitantes com uma antiga tradição da colônia italiana, a produção de vinho. No começo, o vinho era produzido para consumo próprio, com uvas americanas e outras frutas que acabaram se revelando um fermentado de sabor. Portanto, o turista não deve estranhar, com a devida licença poética,  se lhe oferecerem vinho de laranja, de maracujá ou outro vinho que não seja de uva. Por outro lado, hoje os vitivinultores de Valinhos já têm vinhos de variedades de uvas europeias, clássicos mundiais. “Os turistas visitam a produção de figo, uva, goiaba e depois fazem compra na adega”, conta Tio Mário, o Mário Scabello, um dos responsáveis pela introdução de variedades de uva como a itália e a rubi na fruticultura de Valinhos. Segundo ele, são produzidos por ano na propriedade 200 mil quilos de goiaba, 54 mil quilos de figo, 5 mil quilos de uva e 12 mil litros de 13 tipos diferentes de vinho. Aberta de terça a domingo, a adega vende tudo o que produz e um dos itens mais comprados é o vinho da uva americana bordô. “Também vendemos suco de uva, doces de goiaba e figo, salames, provolone, patês, geleias e pimenta”, diz. A  Adega do Tio Mário possui parceria com a Festa do Figo e Expogoiaba há cerca de 18 anos.

Camping Macuco Lazer & Park Aquático

No passeio,  o micro-ônibus passa pela piscina natural do parque e também pelas piscinas tratadas. O local possui espaço reservado para chalés de mensalistas e chalés que podem ser alugados o ano todo. Possui churrasqueiras, toboágua, três lagos para pesca, campo de futebol, quadra de areia e recebe também turistas para passeios de um dia. “Aqui os visitantes podem trazer sua barraca e ficar em um local reservado”, conta a proprietária do parque aquático, Maria Isabel Guimarães. Os monitores explicam como funciona o parque para os que quiserem voltar em uma próxima oportunidade. Com 36 anos de operação e área de 240 mil m², o Camping possui parceria com a Festa do Figo e Expogoiaba há 18 anos.

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