Saúde
Brinquedoteca ajuda na recuperação
das crianças no Hospital Mário Gatti
Brinquedos, jogos, desenhos animados e um visual diferente, com origamis (dobraduras de papel) pendurados no teto e identificação animada dos leitos. Este é o visual que as crianças encontram quando passam por um pequeno período de internação no Pronto-Socorro Infantil (PSI) do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.
O novo ambiente faz parte da brinquedoteca, um espaço dedicado a trazer alegria, minimizar o estresse causado pela internação e ajudar na recuperação dos pequenos. O trabalho é coordenado por Maristela Rodrigues Freitas Martin, Sheila Gonçalves Serrano e Suzana de Oliveira Marcondes, pedagogas especializadas em educação especial.
De acordo com Suzana, as crianças aceitam o brincar de uma forma tranqüila, pois faz parte do universo delas. "É através do brinquedo que conseguimos nos aproximar tanto da criança quanto da família", diz. Para a pedagoga, à medida que os familiares percebem melhora na saúde das crianças, também ficam mais calmos. A brincadeira faz parte de um processo de recuperação na qual o brinquedo é parte integrante.
"É maravilhoso para a criança. Ela chega cansada e apreensiva e as pedagogas têm paciência para ensinar. Nunca tinha visto, mas aprovo a idéia. No final, é bom para todo mundo, pois a criança fica mais tranqüila e facilita o trabalho dos médicos", afirma a dona de casa Lucimara Aparecida da Silva, cujo filho de apenas três anos foi internado devido a uma infecção urinária.
Mas os "pequeninos" não são os únicos a fazerem uso da brinquedoteca. Para os maiores existem os livros educativos. É o caso de Amanda Soares de Oliveira, de 10 anos, que passa o tempo pintando as aventuras de Mônica e sua turma. "Eu gosto astante. Já pintei três desenhos e estou acabando mais
um". A mãe, Kátia Regina Soares de Oliveira, agradece.
"Quando a criança fica internada, ela não tem muito que fazer, e aqui ela fica entretida e não vê o tempo passar. É uma tranqüilidade, porque a criança não fica pensando só na doença", elogia. Até os médicos ficam aliviados com a assistência pedagógica. "Facilita demais o nosso trabalho. A criança não fica ansiosa e nós podemos fazer um diagnóstico mais tranqüilo. É excelente", comenta a pediatra Dorli Carvalho.
Trabalho pedagógico
O trabalho das pedagogas não se restringe à ajuda interna. Elas analisam o grau de escolaridade e, se preciso, fazem contato com a escola responsável.
"Muitas vezes, crianças de 10 anos chegam aqui sem saber ler e escrever. Nos casos de crianças especiais isso é mais freqüente. Dependendo do caso, fazemos uma avaliação e cobramos uma postura da escola fora do hospital", diz a pedagoga Suzana de Oliveira Marcondes.
Para Sheila, resgatar o sentimento de alegria - mascarado pela dor - é a principal razão de fazer o trabalho com jogos e brinquedos. "A gente entende que a linguagem da criança, a relação dela com o mundo é através do brincar.
Com o brinquedo, ela deixa de ser passiva e se transforma em ativa no universo hospitalar, que fica com uma cara diferente, ao invés de dor e sofrimento. É o que chamamos de lúdico".
Qualquer criança que venha a precisar dos recursos do pronto-socorro tem acesso à brinquedoteca. E a criança brinca se quiser. Mas, existem regras para o uso dos objetos, tais como: as pedagogas são responsáveis por distribuir e recolher os brinquedos; eles não devem ser emprestados para o colega da cama ao lado; após o uso, cada objeto é limpo para evitar contaminação; os brinquedos pertencem ao hospital, portanto não podem ser
levados embora. |