Monte Mor
Dois textos do EMOB se destacam
para participar de Olimpíada
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Annaely e Hellen: de todos os trabalhos apresentados, as duas redações chamaram a atenção da comissão. Mas, a escola deverá participar com apenas um texto
Foto: Divulgação |
“Descobrindo um progresso” e “Terra de expectativas”. Esses poderiam ser títulos de alguma canção famosa, de algum livro que figure entre os mais vendidos nas principais livrarias do país, mas não são.
Na verdade, são os títulos de duas redações, de alunas do 3º ano do Ensino Médio da Escola Municipal “Onofre Baldiotti” (EMOB), que fazem, cada uma a sua maneira, uma análise de vários aspectos de Monte Mor.
Infelizmente apenas uma delas pode ser encaminhada para participar da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, que o Ministério da Educação (MEC) promove em parceria com a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC).
“Nós escolhemos uma, mas com dor no coração de não podermos mandar as duas”, contou a professora de português da EMOB, Maria Elisabete Costa Clemente, que integrou uma comissão de professores da escola que no início do mês escolheu a redação vencedora.
A Olimpíada tem por objetivo contribuir para a melhoria da qualidade de ensino e o aperfeiçoamento da escrita dos alunos, além de estimular o desenvolvimento da competência escrita.
“É difícil, mas a gente vai analisando, vendo os alunos que conseguem fazer uma reflexão mais pontual de situações do município”, comentou a professora, revelando que participaram da seleção, os alunos dos 2º e 3º anos do Enino Médio da escola, totalizando cerca de 200 redações, todas focadas no tema “O Lugar Onde Vivo”.
“Desde junho, julho, a gente tem trabalhado com alguns tópicos relacionados a sociedade, ao município, como era e como está agora, as pessoas que fizeram alguma coisa pelo município”, explicou Elisabete.
Canção do exílio
Com trechos flertando com o poema “Canção do exílio” de Gonçalves Dias, a redação que vai representar a Escola Municipal “Onofre Baldiotti” na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é “Terra de expectativas”, da aluna Hellen Monteiro Cardoso, 17.
“Sinceramente, eu achava que a Annaely ia ganhar”, comentou Hellen, elogiando a amiga de sala, Annaely Linda Maria Rosa, 17, autora da redação “Descobrindo um progresso”, que fez uma análise mais ampla do município.
Estilos de escrita a parte, em uma coisa ambas as alunas coincidem: os elogios à professora de português Maria Elisabete Costa Clemente. “A professora estava trabalhando com a gente faz um tempo. Ela pegava bastante artigos sobre os temas e debatia na sala para a gente poder escrever”, disse Hellen.
“Foi pelo incentivo da professora. Antes da gente começar a fazer a redação, ela fez um grupo na sala para a gente discutir quais pontos poderíamos tratar na redação”, afirmou Annaely.
De todos os trabalhos apresentados, as duas redações chamaram a atenção da comissão. Mas, a escola deverá participar com apenas um texto. A redação da aluna Hellen Cardoso acabou selecionado. Conheça a seguir, os dois melhores trabalhos realizados pelas alunas da Escola Municipal Onofre Baldiotti.
Annaely Linda Maria Rosa
“Descobrindo um progresso”
Localizada na Região Metropolitana de Campinas (RMC), Monte Mor é uma cidade média quando se trata de extensão territorial, porém, nela vivem cerca de apenas 43 mil habitantes, esta é a cidade em que moro.
Mesmo fundada aos 24 de março de 1871, Monte Mor é uma senhora de 137 anos que, como muitas cidades do país e do mundo, ainda tem muitos problemas e dificuldades a serem resolvidos em diversos setores como infra-estrutura, saneamento básico, saúde, educação.
A paisagem da cidade apresenta contrastes. Monte Mor é considerada uma cidade rural. Nos locais mais afastados, encontramos muitas fazendas que produzem diversas culturas, desde tomate até cana-de-açúcar. Na área urbana central notamos belas e grandes casas em ruas largas, asfaltadas, iluminadas. Nos bairros, existem até favelas, e vemos uma população mais carente de investimentos públicos.
Quando cheguei ao meu bairro, o Jardim Paulista, há cerca de onze anos, existia apenas a minha e umas três casas na rua. Atualmente, o meu e outros bairros se expandiram, é neles que se tem observado um crescimento populacional acelerado, mas os investimentos públicos não estão acompanhando esse ritmo, o que torna a infra-estrutura dos bairros precária. Ruas esburacadas e sem asfalto, onde o esgoto corre a céu aberto, prejudicando muitas famílias, que acabam tendo dificuldades com locomoção e transporte, convivem com um risco real de contaminação e ficam mais propensos a ter doenças. Quando o clima está seco, a poeira se torna uma grande vilã da saúde de idosos e crianças, que lotam postos de saúde. As donas-de-casa também sofrem. Lembro-me de quando a rua em que eu morava não era pavimentada, além do mal-estar, todos os dias pela manhã, saía uma pá cheia de areia de dentro de casa, e os móveis, por mais que limpássemos, bastava que passassem alguns veículos na rua que, já estavam empoeirados novamente. Em tempo chuvoso, ocorria o contrário, era lama por todos os lados. Para não chegarem sujos ao serviço, meu pai e outros trabalhadores, utilizavam sacolas plásticas para envolverem seus sapatos. A parte do bairro em que moro, felizmente é asfaltada, mas grande parte dele e diversos outros bairros ainda sofrem com esses “apertos”.
A má iluminação, ou a ausência dela em certos pontos, favorece a criminalidade e amedronta a população que volta para casa depois de um dia cansativo no serviço ou na escola. Hoje a cidade está mais tranqüila, mas já foi considerada a mais violenta da RMC em 2005. Uma boa empreitada foi a patrulha rural, que reduziu consideravelmente os roubos nas propriedades rurais. A operação Bar Legal (Fecha Bar), implantada no município em 2006, e que consiste nos bares fecharem às 22hrs, também contribuiu para uma diminuição de crimes no município.
Atualmente, o índice de abastecimento de água na cidade é de 97%, a coleta de esgoto no município representa 38,5% (todo esse esgoto é descartado in natura no rio que corta a cidade, o Rio Capivari!), o esgoto tratado é de apenas 1,5% do total, obra realizada por um loteador. Assim como em minha casa, muitas residências ainda utilizam a fossa sanitária como alternativa para descartarem o “esgoto” por elas produzido, as que não gozam desse “luxo” descartam-no diretamente nas ruas.
A falta de saneamento básico é um problema antigo da cidade, mas tem previsão de ser amenizado até 2012. Enquanto isso, a população se mobiliza na limpeza do rio, participando de eventos como o III Arrastão Ecológico, realizado pela ONG Pingo D’Água. Esta ONG foi fundada em novembro de 2001 para suprir a falta de uma política de educação ambiental, que era quase insignificante. Com sua formação, deu-se início a esta educação, com projetos e exposições sobre o meio ambiente, nas escolas e comércio locais.
A saúde, sofre com falta de profissionais qualificados e a cidade necessita de postos de saúde maiores e mais bem equipados. As filas, a demora e o mau atendimento são as principais reclamações dos usuários do SUS. Muitas vezes eu mesma já deixei de procurar por esse serviço, preferindo ficar doente em casa a “penar” pela espera de atendimento e depois nem sequer receber a atenção necessária. Monte Mor tem um único hospital, que atende a casos de média complexidade; os casos graves são encaminhados para hospitais maiores da região. Esse hospital também é maternidade, e pelo menos nessa área, vem recebendo elogios das atuais e futuras mães que ali fazem o pré-natal e o parto.
Até a antiga gestão, Monte Mor não possuía nem sequer transporte público. Se “escorava” na vizinha cidade de Campinas, pois como o transporte intermunicipal vinha de lá e passava pela rodovia SP-101, que é o principal acesso aos bairros, a prefeitura nunca havia se preocupado em instalar um transporte público no município. Mas atualmente conta com uma boa frota, que entra na maioria dos bairros, o que facilitou e melhorou a vida da população. Aliás, a instalação de passarelas e a duplicação dessa rodovia, que também é o principal acesso à Campinas, é uma antiga reivindicação da população, pois nela ocorrem diversos acidentes devido ao grande fluxo de veículos e pedestres que por ali transitam.
A educação vem apresentando melhorias. Todas as escolas de primeira à quarta séries já foram municipalizadas, o que trouxe muitos benefícios nessa área, pois desse modo é possível ver de perto as reais necessidades que cada escola possuí, o que não ocorre em escolas estaduais, como é o caso das de quinta à oitava séries. Eu estudo na única escola técnica da cidade, que é insuficiente para a demanda e procura que tem. Ela nem ao menos ocupa prédio próprio, divide espaço com uma escola primária onde a infra-estrutura e materiais disponíveis são inadequados aos alunos do ensino médio e profissionalizante (técnico). Além disso, o município não possui faculdades.
Para a prática de esportes, a cidade conta com dois ginásios poliesportivos, dois clubes, alguns campos gramados e academias. Em Monte Mor não têm cinema, nem teatro ou shopping, o jeito mais comum de se divertir é encontrar os amigos em pracinhas, na pizzaria ou ir para as cidades vizinhas onde há muita variedade de locais para lazer.
É por esses e outros motivos que Monte Mor é taxada de “primo pobre” da RMC, muitos a consideram uma cidade dormitório que muito depende de Campinas (de Hortolândia, Sumaré e Indaiatuba também!), pois nós habitantes, nos vemos na necessidade de trabalhar, estudar, buscar profissionalização e passear nessas cidades, devido à baixa oferta de empregos, à falta de universidades e escolas técnicas, e às poucas opções de lazer no município.
O município possuí uma boa localização, se comunica com Campinas através da SP-101 e desta, à Capital São Paulo (distante cerca de 122 quilômetros) pela SP–303 (Via Anhangüera) e SP–348 (Via Bandeirantes), e apesar de apresentar muitas dificuldades, Monte Mor vem se expandindo e as chances de progredir com sucesso são grandes. Há muito “espaço vago” por aqui, o que tem atraído investimentos imobiliários como condomínios e loteamentos. Na cidade já existem multinacionais e com todo esse espaço, muitas outras podem se instalar. Apostar no agronegócio também é uma boa opção, pois o município já mostrou ter bom terreno para isso.
Se bem administrada e com os investimentos certos, Monte Mor deixará de depender tanto das cidades vizinhas, irá progredir e mostrar todo um potencial, ainda não explorado, que apresenta ter. Assim, poderá proporcionar uma melhor qualidade de vida a população montemorense que, apesar de conviver com tantas dificuldades, escolheu este município para viver e alcançar o objetivo de ser feliz. Que num futuro próximo, nossas crianças prosperem juntamente com esta cidade que amamos muito.
Hellen Monteiro Cardoso “Terra de expectativas”
Minha Terra não tem palmeiras e muito menos aves que gorjeiam.
Minha Terra já foi habitada por tribos indígenas, acolheu os imigrantes italianos, alemães, sírio-libaneses, que conviviam juntos numa cidade do interior de São Paulo chamada Monte Mor, transformando-a numa cidade agrícola.
Hoje a cidade não tem mais seus habitantes indígenas e imigrantes, ela cresceu e hoje tem cerca de 43 mil moradores vindos de diferentes lugares, crenças e costumes. Já não é mais uma cidade com a economia baseada apenas na agricultura, ela abriga indústrias que auxiliam no desenvolvimento da cidade.
Mas para crescer de verdade e atender às necessidades que a cidade requer, precisa-se de melhorias nas áreas da saúde, educação e infra-estrutura.
Quando novos habitantes começaram a chegar, novos bairros foram inaugurados mas sem nenhuma estrutura adequada. Hoje já se vê melhorias, mas a grande maioria ainda não desfruta de benefícios. Muitos bairros possuem pouca iluminação ou nenhuma, o que oferece muitos perigos para os moradores, principalmente àqueles que chegam tarde do serviço ou da escola.
A falta de saneamento básico é outro problema, há casas com fossas, e a rede de esgoto mesmo, não existe; mais alarmante ainda é a escoação do esgoto em céu aberto, o que oferece a transmissão de doenças.
Muitas ruas também não são asfaltadas prejudicando a saúde de muitos moradores, principalmente crianças e idosos em época de estiagem com o ar seco. Quando chove o problema é com a lama que dificulta a locomoção dos moradores.
Quando se trata da saúde, a situação é alarmante. Houve benefícios quando se implantou a farmácia do povo, onde se adquire remédios com preços mais acessíveis e outros, a própria prefeitura fornece. O problema ocorreu quando cada bairro começou a possuir seu próprio posto de saúde, com isso, apenas os casos mais urgentes são atendidos no pronto socorro do único hospital local. Muitos desses postos não possuem médicos especializados, o que faz com que pessoas, geralmente idosas, procurem diretamente o pronto socorro e infelizmente o atendimento lhes é recusado.
No Brasil uma das maiores preocupações é com a educação e em Monte Mor não poderia ser diferente.
Houve melhorias com a municipalização das escolas de 1ª a 4ª séries, todavia com os jovens a situação é diferente. Há uma única escola municipal que oferece ensino médio e alguns cursos profissionalizantes, mas ela está sem assistência, abandonada. É necessária uma atenção também aos jovens; precisa-se de cursos profissionalizantes diversos, cursos técnicos, para enfrentar o mercado de trabalho tão concorrido.
Muito trabalho ainda deve ser feito para que as melhorias aconteçam, são necessários um bom governo e a participação da população, não só apenas exigindo, mas também cumprindo seus deveres, com atenção nos acontecimentos que ocorrem na cidade.
Com esse conjunto todo, pode-se garantir à cidade muitos benefícios e quem sabe, mais adiante não se poderá ouvir o gorjear dos pássaros, ou se ver as palmeiras crescerem. |